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Ritmos do corpo: 12 inspirações para um despertar ayurvédico

Existem ritmos de sono, de fecundação e até o ritmo do nosso pulso se altera de acordo com a hora, o momento do dia ou a estação do ano. Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da vida no nosso corpo.

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Independentemente do ritmo que a vida atual nos impõe, a natureza, e o nosso corpo – que é a natureza a vibrar em nós – tem um ritmo próprio. Existem ciclos corporais naturais de metabolização de alimentos, emoções, pensamentos, toxinas; existem ritmos de sono, ritmos de fecundação, até o ritmo do nosso pulso altera-se de acordo com a hora, o momento do dia, a estação do ano, e, contudo, sempre em sintonia com o pulsar da Mãe Terra.

 

Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo, e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da vida no nosso corpo. Quando estamos dessincronizados adquirimos outro ritmo de vida, que entra em resistência com o pulsar da terra. Dormir demasiado tarde, ou durante o dia, comer fora do horário das refeições, falhar a hora ideal para evacuar, e/ou conter a urina. Estes são alguns dos exemplos de como podemos facilmente desequilibrar-nos.

 

1 | A hora de despertar

Com a primeira luz do amanhecer, cerca de noventa minutos antes que o sol surja no horizonte oriental, ocorre uma grande onda de energia no planeta. As criaturas adormecidas despertam e sacodem dos seus organismos os vestígios da inércia, preparando-se para as atividades do dia. E então, meia hora antes do amanhecer, uma segunda onda de energia ainda mais poderosa corre pela atmosfera. Com esse segundo influxo de radiação vem o momento mais importante do dia – o momento em que a química corporal é estabelecida para todos os seres vivos. O ser humano é também afetado por esse influxo. Nesse momento o sangue é diluído e banhado por novas substâncias químicas, as quais se exaurem gradualmente, até serem restauradas no amanhecer seguinte.

 

O banho do organismo com a nova energia ocorre dez minutos antes do amanhecer, estejamos ou não conscientemente preparados e despertos. As reações químicas acontecem de modo mais adequado em recipientes limpos e livres de impurezas. A lógica diz-nos que uma reação que ocorra num recipiente livre de resíduos produzirá resultados bem melhores do que uma reação num recipiente impuro. Se uma pessoa está a dormir quando amanhece, os gases e resíduos acumulados durante a noite estarão presentes durante o estabelecimento da química do sangue.

É da maior importância evitar ingerir qualquer alimento ou bebida nas horas que precedem o amanhecer. A manhã é um período em que devemos manter reduzida e tranquila a nossa velocidade.

 

Em resumo, é benéfico acordarmos antes que o sol se levante, porque existem qualidades amorosas (sattvicas) na natureza, que trazem paz mental e frescura aos sentidos. O nascer do sol varia de acordo com as estações, mas em média as pessoas de constituição Vata deveriam acordar por volta das 6 horas da manhã, as Pitta pelas 5h 30m da manhã, e os Kapha por voltas das 4h 30m da manhã. Logo após o despertar, é adequado conectarmos a nossa energia à da terra, enraizando-nos, e fazermos algumas respirações profundas, colocando a intenção para o nosso dia.

 

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2 | Limpar a noite do nosso rosto

Durante o sono a temperatura da pele sobe. Os cobertores mantêm a temperatura cutânea consideravelmente acima da temperatura ambiente. A lavagem reajusta o organismo às condições do ambiente e previne o tipo de choque provocado pela súbita mudança de temperatura que ocorre quando a pessoa salta da cama.

 

O rosto, em particular os olhos, devem ser lavados com água fria e refrescante, numa temperatura um pouco abaixo da do ambiente, e deveríamos atirar a água ao rosto pelo menos sete vezes. Isto ativa o reflexo do mergulho, ativando também a nossa atenção. O rosto deve ser limpo como uma totalidade, pois a limpeza parcial pode criar problemas, devido à diferença de temperatura e condutibilidade elétrica entre a parte limpa e a não limpa. Essas diferenças podem provocar um desequilíbrio na energia, afetando a visão, o olfato, a audição e o paladar.

 

No corpo, os olhos representam o elemento fogo. Eles só funcionam quando estimulados pela luz. A água é o combustível do fogo. O que permanece após a extinção do fogo é a cinza ressecada, porque a água evaporou. A água conduz o calor e a energia elétrica do fogo. Assim, quando se lavam os olhos, a pequena quantidade de força aplicada pelas mãos carrega eletricamente a água – estimulando e acalmando os olhos e os nervos óticos (os quais são extensões diretas do cérebro). O ato de lavar os olhos deve ser acompanhado com bochechos, com água à mesma temperatura.

 

3 | Raspar a língua

Antes mesmo de bebermos água, a Ayurveda recomenda que raspemos a língua. Durante a noite, as toxinas (ama – alimentos não digeridos no trato digestivo) a serem expelidas pelo organismo vão-se dirigindo para diversos pontos de saída. A língua é um deles. Torna-se por isso necessário elaborar-se uma higiene diária da língua, de forma a remover-se essa película de toxinas acumuladas sobre ela, sobretudo antes da ingestão de qualquer alimento. Esta ação vai permitir uma acentuada clareza do sentido do paladar, para além de evitar que voltemos a ingerir a ama acumulada.

 

A língua é um órgão muito sensível e contém na sua superfície um mapa dos órgãos do corpo, podendo nós através da sua observação, fazer uma pequena análise do nosso estado de saúde. São de notar as zonas onde existe maior acumulação de ama. Podem surgir capas na língua de diversas cores associados a diferentes tipos de desequilíbrio. Um monte de revestimento branco pode sugerir cândidas.

 

Raspadores de língua de plástico e metal estão disponíveis na maioria das lojas de saúde. Raspe de trás para frente suavemente até que tenha raspado toda a superfície, entre 7 a 14 vezes, e lave o raspador de cada vez. Esta ação estimula os órgãos internos, ajuda na digestão e remove a ama (toxinas).

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